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Lago Nahuel Huapi visto de Bariloche — águas turquesa entre picos nevados dos Andes patagônicos
🗺️ Guia de viagem
Bariloche
O coração da Patagônia andina
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À beira do lago Nahuel Huapi, cercada por vulcões e florestas de lenga que se incendeiam nas cores do outono, San Carlos de Bariloche é o destino mais visitado da Patagônia argentina. Capital do chocolate artesanal, do esqui austral e do trekking de alta montanha, a cidade combina uma arquitetura alpina surpreendente com uma natureza sem peias. Não importa a estação do ano: Bariloche sempre tem algo a oferecer.

Onde fica Bariloche? Bariloche fica na Argentina, na região da Patagônia andina, dentro da província de Río Negro. Está à beira do lago Nahuel Huapi e ao pé da Cordilheira dos Andes, bem perto da fronteira com o Chile — a cerca de 1.600 km ao sudoeste de Buenos Aires.

Do Brasil há voos diretos sazonais e conexões via Buenos Aires; o fuso horário é o mesmo do horário de Brasília. A moeda é o peso argentino e o idioma, o espanhol.

Vista panorâmica de Bariloche — a cidade, o lago Nahuel Huapi e os Andes

Bariloche do alto: a cidade, o lago Nahuel Huapi e o cenário permanente dos Andes.

História: onde os Andes encontram o lago

Povos mapuche e tehuelche habitaram esta região por milênios antes de qualquer europeu cruzar os Andes. O lago Nahuel Huapi — "Ilha do Tigre" em mapudungun — era território dos puelches e pehuenches, que cruzavam a cordilheira seguindo rotas de comércio e conflito. Os jesuítas tentaram estabelecer missões no século XVII; a mais célebre, do Padre Mascardi, foi destruída pelos próprios indígenas em 1717 após décadas de tensão.

A história moderna começa em 1895, quando o perito Francisco Pascasio Moreno — que já tinha cruzado o lago de canoa e daria seu nome ao famoso glaciar — doou ao Estado argentino três léguas quadradas de terra à beira do Nahuel Huapi. Tornou-se a primeira reserva natural do país e a semente do parque nacional que hoje cerca a cidade. Carlos Wiederhold, comerciante alemão, abriu o primeiro armazém geral no mesmo ano. A cidade cresceu desse armazém. O nome oficial, "San Carlos de Bariloche", mistura o patrono cristão com a deformação do topônimo indígena vuriloche: "povo do outro lado das montanhas".

A chegada da ferrovia Viedma–Bariloche em 1934 transformou a aldeia em destino turístico. O arquiteto Alejandro Bustillo projetou o Centro Cívico, o Hotel Llao Llao e vários outros marcos em pedra vulcânica local e madeira de cipreste — uma estética que definiu para sempre a identidade visual da cidade. A imigração centro-europeia do século XX — alemães, suíços, austríacos — trouxe o chocolate artesanal, a arquitetura de montanha e a cultura do chá. Hoje Bariloche produz mais de 70% do chocolate fino da Argentina.

Quando ir

Jul · Set
Temporada de neve

Cerro Catedral coberto. A melhor época para esqui e snowboard na maior estação da América do Sul. Alta temporada: reserve com meses de antecedência.

Dez · Mar
Verão patagônico

Trekking, caiaque e praias de lago. Dias longos, temperatura média de 20°C. Ideal para o Circuito Chico, o Cerro López e as trilhas do parque nacional.

Abr · Mai
Outono nas florestas

As lengas e ñires ficam vermelhas e laranja. Menos turistas, preços mais baixos e a luz mais fotogênica do ano. A estação secreta de Bariloche.

Como chegar

✈️

Avião

Voos diretos de Buenos Aires (2 h), Córdoba, Mendoza e outras cidades. O aeroporto Teniente Luis Candelaria fica a 15 km do centro — táxi, remis ou ônibus urbano linha 72.

🚌

Ônibus de longa distância

De Buenos Aires: 20 h em coche cama. De Neuquén: 5 h. De Esquel: 4 h pela Rota 40. O terminal fica a poucas quadras do Centro Cívico.

🚢

Cruzeiro lacustre do Chile

O famoso Cruce de Lagos Bariloche–Puerto Montt: dois dias de ônibus e catamarã cruzando lagos e vulcões na fronteira. Uma experiência em si mesma.

🚗

Carro pela Rota 40

A mítica estrada patagônica passa por Bariloche. De norte ou sul, a chegada pela Rota 40 é um dos percursos rodoviários mais espetaculares do continente.

O que fazer

Pistas do Cerro Catedral com o lago Nahuel Huapi ao fundo — a maior estação de ski da América do Sul

Cerro Catedral

A maior estação de esqui da América do Sul, a 19 km do centro. Mais de 120 km de pistas, 37 meios de elevação e uma vila de montanha com restaurantes e hotéis na base. A temporada vai de junho a outubro. As vistas do topo — o lago Nahuel Huapi de um lado, o vulcão Tronador do outro — são únicas no mundo. No verão, os teleféricos abrem para caminhantes e ciclistas.

Refúgio de montanha no Cerro López com o lago Nahuel Huapi abaixo — trekking em Bariloche

Cerro López e o Refúgio

O trekking mais acessível e mais espetacular de Bariloche. Saída da cidade, subida de 3 a 4 horas até o refúgio a 1.600 m acima do nível do mar. O panorama do topo — o Nahuel Huapi com 560 km² abaixo — é um dos mais fotografados da Patagônia. O refúgio oferece comida e hospedagem: para quem quiser ver o amanhecer sobre o lago, passar a noite vale cada centavo.

Vista panorâmica do Circuito Chico — o lago Nahuel Huapi, florestas e os Andes do Cerro Campanario

Circuito Chico

O passeio clássico de Bariloche: 65 km de carro ou bicicleta margeando o lago Nahuel Huapi passando pelo Cerro Campanario (mirante obrigatório), Hotel Llao Llao, Puerto Pañuelo e Bahía López. O Campanario se sobe de teleférico em 10 minutos e entrega uma das melhores vistas panorâmicas da região. Faça ao pôr do sol para duplicar o efeito.

Hotel Llao Llao na península entre o lago Nahuel Huapi e o lago Moreno — o hotel mais icônico da Patagônia

Parque Nacional Nahuel Huapi

O mais antigo da Argentina (criado em 1934) envolve completamente a cidade. Mais de 700.000 hectares com geleiras, vulcões, florestas de coihue e arrayán, e lagos de um azul impossível. As trilhas vão de caminhadas de 2 horas a expedições de vários dias. O Vulcão Tronador — 3.491 m, com geleiras ativas — é o pico mais alto e mais imponente. Acesso gratuito; algumas trilhas exigem cadastro prévio.

Floresta de Arrayanes na Península Quetrihué — troncos cor de canela únicos no mundo nessa concentração

Ilha Victoria e Floresta de Arrayanes

Excursão de catamarã a partir do Puerto Pañuelo (1,5 h de viagem). A Ilha Victoria tem uma criação de cervos e vistas para o Vulcão Tronador. O destaque: a Floresta de Arrayanes na Península Quetrihué, uma floresta de árvores cor de canela que não existe em nenhum outro lugar do mundo nessa concentração. Walt Disney a visitou nos anos 1940 e teria se inspirado nela para criar a floresta de Bambi. Meio dia de excursão.

Bolos e chocolates artesanais com vista para o lago Nahuel Huapi — a tradição chocolateira de Bariloche

Chocolate e a Rua Mitre

Bariloche produz o melhor chocolate da Argentina, herança dos mestres chocolateiros europeus que chegaram no início do século XX. A Rua Mitre concentra a maioria das chocolaterias artesanais: Mamuschka, Rapa Nui, Familia Weiss, Del Turista. Para uma experiência mais autêntica: os pequenos produtores do bairro Melipal fazem chocolates mais finos e menos turísticos. O chocolate de framboesa com casca de lenga é, em vários rankings, o melhor da América do Sul.

Caiaques no lago Nahuel Huapi com os Andes nevados ao fundo — atividades aquáticas em Bariloche

Caiaque no Nahuel Huapi

O maior lago patagônico argentino (560 km²) tem múltiplos braços e baías para explorar de caiaque. Vários operadores oferecem saídas guiadas a partir do calçadão. Para os experientes: a travessia até a Ilha Victoria de caiaque de mar (8 h) é um desafio clássico da região. Também há travessias de vários dias com acampamento em ilhas.

Vulcão Tronador com suas geleiras — o gigante nevado de 3.491 m que domina o horizonte de Bariloche

Trekking ao Vulcão Tronador

O gigante branco de Bariloche. Acesso pela Estrada dos Sete Lagos até o Pampa Linda (80 km do centro) e de lá há várias trilhas, incluindo uma que chega à Geleira Negra. A caminhada ao mirante do Tronador leva 4 horas de ida e volta. Não exige experiência em alta montanha; bom calçado e agasalho são essenciais mesmo em janeiro.

Onde comer

Cordeiro patagônico no asador — o prato emblemático de Bariloche, cozido lentamente sobre lenha

El Patacón

Av. Bustillo km 7

A parrilla de referência de Bariloche. Cordeiro patagônico no asador, vistas para o lago Nahuel Huapi, ambiente de estância. Caro, mas justo para a ocasião.

Kandahar

20 de Febrero 698

O restaurante mais antigo da cidade. Cozinha de montanha: truta do lago, javali ensopado, fondue de queijo. Decoração de época, clientela local.

Cassis

Av. Bustillo km 4.8

Bistrô autoral com produto patagônico de temporada. O cardápio muda conforme o mercado. Reserve com antecedência no verão e no inverno.

La Fonda del Tío

Morales 1160

Cozinha caseira sem pretensões: ensopado, massas, milanesa. O favorito dos moradores para comer bem e barato. Sem reservas; chegue cedo.

O prato que você não pode deixar de provar: o cordeiro patagônico

Disponível na maioria das parrillas

O cordeiro criado na estepe patagônica tem uma carne mais magra e saborosa do que qualquer outra variedade. No asador ou à la cruz, com chimichurri ou simplesmente com sal patagônico. Procure os restaurantes que usam cordeiro de produtores locais de Neuquén ou Río Negro. A diferença em relação ao cordeiro industrial é total.

Dicas práticas

Na temporada de esqui (julho–agosto), os hotéis no centro e na base do Catedral lotam com meses de antecedência. Se for no inverno, reserve com no mínimo 60 dias antes.
O ônibus urbano chega ao Cerro Catedral (linha 55) e ao Circuito Chico. Para o Tronador e a Pampa Linda, alugue um carro ou vá com excursão organizada — não há transporte público.
A Rua Mitre pode ser cara e turística. Para levar chocolate de qualidade, procure os pequenos produtores do bairro Melipal ou peça a linha premium da Familia Weiss.
O tempo em Bariloche muda rapidamente. Um dia de trekking em setembro ou abril pode começar ensolarado e terminar com neve. Sempre leve camadas e uma capa impermeável, mesmo no verão.
O Cruzeiro Lacustre para Puerto Montt (Chile) sai terças, quintas e sábados entre outubro e abril. Reserve com semanas de antecedência na alta temporada — poucas vagas.
Dado histórico: o Hotel Llao Llao, inaugurado em 1938 e projetado por Bustillo sobre uma península entre dois lagos, foi o primeiro grande investimento turístico da Patagônia argentina. Perón chegou a fechá-lo brevemente como residência presidencial. Hoje continua sendo um dos hotéis mais fotografados da América do Sul.

Perguntas frequentes

Bariloche fica em qual país?

Bariloche fica na Argentina, na província de Río Negro, na região da Patagônia andina. Está junto à Cordilheira dos Andes, na fronteira com o Chile.

Como chegar a Bariloche desde o Brasil?

No inverno costuma haver voos diretos sazonais de São Paulo ao Aeroporto de Bariloche (BRC). O resto do ano, o caminho mais comum é uma conexão em Buenos Aires (Aeroparque), com cerca de 2h15 de voo até Bariloche.

Qual a melhor época para visitar Bariloche?

De julho a setembro para esquiar no Cerro Catedral, a maior estação de esqui da América do Sul. De dezembro a março para trekking, lagos e dias longos de verão. O outono (abril–maio), com as florestas vermelhas, é a estação mais fotogênica e tranquila.

Tem neve em Bariloche?

Sim. A temporada de neve vai de junho a setembro, com o pico em julho e agosto, quando funciona o centro de esqui do Cerro Catedral. No verão a neve fica só nos cumes mais altos dos Andes.

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