EUA ameaçam soltar a mão de Londres nas Malvinas
Washington exige que o Reino Unido eleve seu gasto militar na OTAN para 5% do PIB — e usa o reclamo argentino como moeda de pressão. O governo argentino, cauteloso: “não é uma mudança, é pressão sobre a OTAN”.
Malvinas — Relatório GLOBALpatagonia
O governo Trump voltou a colocar as Malvinas no tabuleiro geopolítico, desta vez como ferramenta de pressão dentro da OTAN. Segundo revelou o jornal britânico The Telegraph, altos funcionários do Pentágono avaliam retirar o apoio político que os Estados Unidos tradicionalmente dão ao Reino Unido sobre a soberania das ilhas, caso o governo de Andy Burnham não eleve seu investimento em Defesa para 5% do PIB, o número exigido pela Aliança Atlântica a seus membros.
Mais uma ficha na mesa da OTAN
A jogada encaixa na estratégia de Trump de forçar os parceiros europeus da OTAN a pagar mais por sua própria defesa —o que em Washington já chamam informalmente de “OTAN 3.0”— e não implica, por ora, um apoio formal ao reclamo argentino. O embaixador americano em Buenos Aires, Peter Lamelas, deixou isso claro semanas atrás:
“Os Estados Unidos mantêm uma posição de neutralidade sobre as ilhas. Isso não mudou.”

Londres se abala
Mas a simples menção já bastou para abalar o Reino Unido. O orçamento de Defesa apresentado pelo Tesouro britânico gerou uma onda de críticas internas. A deputada conservadora Priti Patel escreveu no X:
“O fracasso do Partido Trabalhista em se comprometer com 3% do PIB em defesa nos deixou expostos.”
Seu colega de bancada James Cartlidge foi além: “As Malvinas são britânicas. Ponto final.” E até o trabalhista Adam Jogee, do próprio governo, concordou no fundo: “Sejamos muito claros: as Malvinas são britânicas. É simples assim.”
A ministra Bridget Phillipson evitou se pronunciar sobre a soberania em uma entrevista de rádio e se limitou a defender o nível de gasto militar: “Estamos investindo mais do que em qualquer outro momento desde a Guerra Fria.”

Não é a primeira vez
Não é a primeira vez que o tema aparece em Washington como ficha de negociação. Em abril, um e-mail interno do Pentágono revelado pela Reuters já havia mostrado que, diante da recusa de alguns aliados europeus em apoiar operações militares na guerra contra o Irã, uma das opções discutidas era rever o apoio diplomático à administração britânica das ilhas. Na ocasião, o secretário de Estado Marco Rubio minimizou o episódio: “um e-mail com algumas ideias.”
Cautela na Chancelaria argentina
Do lado argentino, a reação oficial foi de cautela. Fontes do Ministério das Relações Exteriores consultadas pela Infobae afirmaram que a posição deve ser lida “no marco de uma estratégia do governo Trump em relação aos aliados da OTAN, e não como uma mudança formal na política externa americana”. Ainda assim, o governo não esconde a expectativa: qualquer rachadura no apoio histórico dos Estados Unidos a Londres —por motivos alheios à própria causa Malvinas— abre uma janela que Buenos Aires não tinha há apenas uma semana.
Fontes: Página12, Infobae, The Telegraph (original), Canal26, BAE Negocios, Noticias Argentinas.


